sábado, 10 de Janeiro de 2009
apenas porque sim
Essa sede sucede de três em três ou quatro em quatro anos não sei bem ao certo. É um ciclo que preciso não sei bem porquê mas aparece como uma necessidade básica e que mostra-me um caminho intuitivo muitas vezes tortuoso que me dá um certo gozo precorre-lo de olhos vendados de modo a forcar usar os outros sentidos muitas vezes esquecidos. O teu texto... imagem provocou-me sede.
para ti com saudades
Algures no principio de janeiro
E tudo recomeça com um sorriso tímido, um olhar curioso, um desejo intuitivo que aos poucos enche e preenche cada parte sem dar por nada. Apenas, e só apenas pela plena satisfação de ser, de estar e de “share”.
Vem de onde menos esperamos mas vêm. Vêm de uma tal maneira que desencontramo-nos de tanto encontro encontrado. Passamos medos sem nos apercebemos que os enfrentamos. Se for necessário pomos em pratica o mau inglês colegial e aprendemos palavras novas em checo coisa nunca antes imaginada. E alegremente damos as boas vindas á diversidade “a lot of pusinka with muitas saudades”. Abrimos se exitar os braços e criamos novos espaços cheios de cores vibrantes. Mostramos um sorriso genuíno e recebemos novos tipos de prazer. Reconquistamos o nosso corpo com “green food” e sentimos leves não tendo bem a noção do porquê ficamos “so far away” do enfadonho pedaço de “maco” ensanguentado.
E não sabendo bem como, damos por nós, olhar-mos curiosamente para um tímido sorriso conquistado por desejos profundamente intuitivos.
para mim com curiosidade
domingo, 23 de Novembro de 2008
ensandecer eloquentemente
Ser uma cobra que deixa toda a sua pele sem mais retornar a vê-la. Deixar esta angustia que deixa sem respirar, asfixiada. Esta angustia que corre nas veias sem piedade, envenena. Sinto a ensandecer eloquentemente sem ter, tendo noção de tudo o que rodeia. Estou farta de quer querendo, faminta por cada pedaço de tua carne. Quero esse vicio carnal que não vejo á anos mas que não quero de uma outra qualquer. Quero banhar-me em ti. Quero gordura de pele suada. Quero os teus fluidos sentir gozo em tê-los em mim. Quero ouvir ruídos involuntários. Quero comer tua expressão. Quero... mas tudo o que vejo é um corpo invalido.
Por vezes gostava...
Não te seduzas por minhas palavras porque quando as lês já são tuas.
domingo, 9 de Novembro de 2008
gentilmente me deste a conhecer
Depois de entrar, dirijo-me ao balcão como de costume, sinto o coração bater mais depressa cada vez que olho as horas. Peço o tipico café com natas. Espero, enquanto isso repete-se a habitual cortesia. Sou servida. Apesar de acompanhada sinto-me como não estivesse. Os minutos que passam e a ansiedade que cresce. Uma voz familiar diz para irmos sentar no local que identificamos como nosso. Acompanhada faço-me dirigir aquele espaço confrontável onde passei grande parte das noites deste verão. Sento-me, desta vez num lugar não habitual, de costas para a entrada. Não quero que o meu olhar compulsivo se torne obsecado e inevitavelmente contribua ainda mais para a penosa ansiedade do meu coração. A conversa que naturalmente surge entre todos os intervenientes não consegue enganar nem afastar o momento que rapidamente se aproxima. Olho para as horas e consto que o tempo limite passou, a qualquer momento pode chegar, coração alegremente angustiado bate tão forte. Tento acalma-lo e faço um esforço enorme para focar o que esta a ser dito. E por momentos vejo o meu esforço compensado, e consigo desviar a atenção acalmado a sua fonética batida. Logo em seguida, ao longe num som meio sumido pelo natural ruido de todas as vozes presentes no espaço, ouço o bater da porta, rapidamente meu corpo, como de um alerta se trata-se, estremece de inquietude. Volto-me num ápice. Olho. Enganada por este desejo veemente reconheço a inquietação do meu espirito. Nesse instante convidam-me para a usual sueca, recuso, em vez disso peço licença e retiro-me até ao banheiro. Lá molho o rosto e sinto a frescura da água escorrer pelo mesmo, olho-me no espelho e tento disfarçar, recomponho-me. Volto para o mesmo lugar que esta mais composto da minha gente. Sento-me e perco-me nos meus pensamentos intercalados com a cortesia vulgarmente habitual de comprimentos aos recém chegados. E entre uma mesura e uma reflexão, relembro. Que loucura, estou a ficar vorazmente ensandecida, este tempo que faz um minuto infindável. Foca, foca e relembro o porquê deste estado afectivo penosamente gostoso, relembro que á três quase quatro semanas que não vejo, relembro que tenho saudades, quero simplesmente olhar, relembro que fui sem nada diz não por não quer mas porque não pode, relembro que a situação não foi a melhor nesses últimos dias, relembro e pergunto-me será que o mesmo acontece conti... Nisto sinto algo, uma voz que vem de trás começa por balbuciar palavras para o grupo. Reconheço a voz da minha prima Al., meu coração desalmadamente recomeça a bater num ritmo estonteante, é agora, é agora... alegria desmedida contagia todo o meu corpo. Sorriso instintivamente formado, o brilho suado e tranquilidade. Com cautela rodo minha cabeça, sequência que congela estes breves segundos, até alcançarem os teus olhos. Duvidas e angustias que inundavam desfazem-se. Teu olhar, nos teus olhos encontro tudo. Meu olhar, nos meus olhos encontra-te. Falamos numa conversa muda. Coisa tão gostosa. Falamos, que alegria. Partilhas os mesmos tormentos, eu também, tenho medo mas não agora. Que bom ver-te, tinha tantas saudades, tantas. Corpos paralisados, apenas entendimento no olhar, num dialogo só nosso onde ninguém alcança, ninguém corrompe. Não agora. Explosão. Sinto-me alegremente surpreendia por sentires o mesmo. Tranquila.
Com a tua habitual gentileza, depois destes intenso e breves segundos, balbuciamos algumas palavras de cortesia para despistar os demais. Logo após o sucedido, vais até ao balção pedir o teu café com natas que gentilmente me deste a conhecer e juntaste as moças da tua idade numa mesa bem perto da minha. Onde podíamos olharmos disfarçadamente se que fossemos julgadas por isso. Por diversas vezes apanhei-te a observar, assim como aconteceu comigo. Depois por decisões do grupo onde estavas mudaram de lugar bem atrás de mim. Mas também nessa altura já tinha regressado ao meu habitual lugar no cantinho que dominamos como nosso. As horas já não me afligiam, não agora, mas como já era um pouco tarde. Alguns decidiram ir para o conforto dos seus lar. Minha mãe ao fundo, bem perto onde dela estava com as amigas, chama-me. Meio tímida levanto-me, dirijo-me á minha mãe e fico de frente para X., meio a medo mas como íman o meu olhar cola no dela. Ela fez o mesmo. Minha mãe falava e eu respondia sem desviar do doce olhar que se encontrava a trás de si. Este intenso e persistente olhar fez sorrir ambas desviando o olhar curioso e cúmplice. Minha mãe sem entender nada despede-se e faz as recomendações de sempre. Volto ao meu lugar feliz da vida.
A noite pouco mais durou, o fim-de-semana passado pouco mais teve mas deu tranquilidade. Valeu a pena, apesar de longe, o desejo é de ambas e continua.
quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
assustada com o meu próprio desejo
Pouco tempo depois começou a ver os trabalhos. Eu provavelmente seria uma das ultimas como era habitual. Um a um lá foi ficando cada vez mais perto. Encantada pela forma que tinha vindo não consegui tirar os olhos dela e ao senti-la aproximar-se meu coração batia forte. Foi quando derepente, numa fila à minha frente, ela inclinasse ligeiramente para se sentar num dos bancos, eu sem desviar o olhar sequer, vejo por uma breve frecha da sua camisa um pouco dos seus seios. Anestesiada!!! Incrédula!!! Estupefacta!!!! Senti-me instantaneamente invadida por ondas de calor que me fizeram ficar totalmente molhada. Fiquei toda atrapalhada, corada, envergonhada por este desejo que em milésimos de segundo deixaram o meu corpo no êxtase compulsivo. Poucos minutos faltava para sair... Eu não queria acreditar. Não é possível. Vou ser a ultima a falar com ela. Neste estado!!??? O que faço??? O que é que faço????? Não consigo tirar aquela imagem da minha cabeça. Tirei-me daqui por favor.
Quando chegou por fim a minha vez pouco consegui defender o meu trabalho não consegui ter um único pensamento em que não entrasse aquela breve aparição bloqueando todas as frases que iniciava. Mal consegui olha-la, assustada com o meu próprio desejo de a quer ter.
e este ano tenho-a novamente como prof. ...
quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
ontem eu estive, hoje eu estou, amanhã estarei
Hoje eu danço, hoje eu sacudo, hoje eu dou de mim todo o animal racional que possuo ter, hoje eu sou mulher sensual, hoje eu sangro a vontade de ser eu, hoje eu transbordo de orgulho, hoje eu quero raiva ao viver, hoje eu sacudo toda a vossa hipocrisia, hoje sacudo o dito por não dito, hoje eu não nego o que a mãe natureza me deu a comer, hoje e sempre eu sapho, lésbica, fufa, mulher, menina, moça,... Hoje eu suo de prazer, hoje eu grito de alegria, hoje eu salto de emoção, hoje eu danço á vida, hoje eu não tenho medo, hoje venham, hoje eu sou a tal, hoje eu sou mais eu. HOJE
Ontem eu estive, hoje eu estou, amanhã estarei... e vou sacudir toda a vossa falsa modéstia. Todo o tormento desta minha existência. Todos estes tabus que todos nossos comemos com gosto mas fingimos passar ao lado.
NÃO SÓ MAS TAMBÉM HOJE AMO DIVERSIDADE... adoro animais, aqueles que acham que são racionais a tempo inteiro e esquecem da relatividade, ambiguidade, perspectivas, pontos de vistas, enquadramentos que existem. Dogma. Ilusão. EU AMO DIVERSIDADE...
12 de outubro
Queria tanto ser abraçada e sentir o conforto de que por uns breves instantes não estou sozinha. Desta vez que a minha mãe o fez sobe a tão pouco e vê-la partir, novamente, foi tão pesado doloroso. Foi a primeira vez que me abraçou. Nunca foi dada a abraços, beijos, entre outras coisas mas desde que namorei com A. isso todo mudou. Sinto muita falta de mimo e o pior é que não deixo ninguém chegar perto ou passar dos limites (para mim sempre vi com limites porque achava que não deveria passar para lá da linha imposta por mim). QUERO SER ABRAÇADA COM toda a FORÇA que me poças dar. Abraça-me.
16 de outubro
Tortura, eu não acredito que isto volte ao mesmo. Como eu posso deixar que isto aconteça novamente. Porque não vou simplesmente. Porque não me atiro. Quero me jugar do penhasco da vida e não consigo. Sinto-me a morrer de tanto querer e não fazer. A morrer... cada minuto um sufoco tão apertado que sufoca cada pedaço do meu corpo. Rouba toda a vontade, rouba toda a juventude, todo a força, a vigorosidade desta tenra idade que passa sem perdoar. Passa e goza por eu não ir. Eu vejo-a. Apenas a vejo. Goza por desejar ignorando-a. Goza por tanto vigor não exercido. Quero mandar-me desse penhasco abaixo. Quero. Estou na ponta e não consigo ir. Ajuda. Quero ajuda. Desbloqueia-me. Dá-me o que não consigo. Faz-me voar por ele abaixo. Mas faz. Ajuda. Quero ajuda. Eu grito dentro de mim e ninguém vê. Vê-me por favor. Eu peço. Vê-me. Pulveriza-me com vida.
entre 20 a 26 de outubro, pela noite a dentro
Vou para o quarto. Acendo a fosca luz amarelada. Começo por tirar a roupa e coloco o pijama curto. Entra a minha colega de quarto e deita-se de imediato na sua cama pronta para dormir. Deito-me de barriga para cima. Estico o braço e apago a luz. Escuro… Puxo os lençóis e a coberta. Aconchego a roupa. Viro para um lado. Viro para o outro. Ouço a boliche a ranger por baixo de mim. Viro mais uma vez. Ouço a minha colega no outro lado a ajeitar-se. Viro outra vez. Parede. Sinto uma luz vermelha sumida de uma tomada debaixo da cama. Viro-me novamente. Sinto a textura dos lençóis passarem nos meus lábios. Fico parada e sinto. A presença deste tão perto da minha boca… a provocar… sinto o cheiro destes e quero provar o seu sabor. Chama, sinto a sua presença perto, a sua textura deslizar sob minha pele, sob meus lábios. Calma, sinto o corpo a reagir a esses toques tão subtis. Calor, avanço sem mais demora e faço deslizar entre os meus lábios os lençóis. Provo, com o lábio inferior puxo gentilmente. Sinto o pedaço de pano seco a ceder ao meu capricho. Lentamente começa a ficar molhado e pouca resistência começa a oferecer às minhas investidas. Gosto, por vencido faço deslizar sob o meu rosto. Arrepios, conceder-me o prazer de o sentir deslizar no meu pescoço, ah... arrepio. Hum, sinto escorregar suavemente pela minha pele. Húmido. Schiiiiuuu, devagar, muito devagar, começo a fazer deslizar a minha mão. Devagarinho... por entre os lençóis faço descer. Intenso esse contacto. Mão que sabe o que procurar, o que querer, e sabe o que vai encontrar. Encontra, sinto, provar-me... provo. Devagarinho… muito devagarinho. Comprovo todo esse entusiasmo. Quero brincar… anda.
hoje, 29 de outubro
Não quero falar das coisas que me levam a baixo, do Verão que já foi, da porcaria de constipação que apanhei, da escassa existência da minha quase voz, da tosse que nestes últimos dias é a discografia que mais ouço, do creme que tenho gasto na tentativa frustada de auxiliar o meu nariz esfarrapado nas suas longos jornadas da “saca a verdinha” e por fim, de salientar e não menos importante, as fádicas caminhadas de duas semanas e meia na tentativa de dormir uma noite completa sem acordar milhentas vezes, durante a noite, e no dia seguinte não sentir o corpo todo calejado... todo isto é lindo, tudo isto existe, tudo isto é fado. Calma não é pra desanimar. Nem tudo é assim mau... sejamos realistas, hum... ok é péssimo.
Adiante. Bem vejamos, apesar dos apesares á duas noites redescobri uma forma de dormir feliz. Sem acordar e sem dores por causa do colchão. Já não me lembrava como, quando e porquê???? Espera, espera afinal lembro, rsrs, mas não digo. (= P) Agora a serio, foi quando deixei de namorar com A. a cama parecia gigante e sem conforto algum. Apesar do tempo(meses) que recusei dormir novamente debaixo dos lençóis ou até mesmo sob a cama. Comecei a dormir abraçada a uma almofada grande e fofa como se tivesse alguém a meu lado. Pormenor eu não uso almofada pra dormir. Pois agora aderir novamente á ideia e sabem o que mais adorei conseguir dormir. Sabe tão bem. Quando volto para esta cidade é assim, muitas lembranças mesmo.
terça-feira, 7 de Outubro de 2008
retiro se o pedires para o fazer
Não sei se tenho permissão mas coloquei... desenhei depois de alguns meses a seco... desenhei. Olhar intenso o teu. Não sei mas arisquei. Este eu não quero guardar só pra mim. Quero partilhar contigo. Retiro se o pedires para o fazer. Intenso esse teu olhar.